O Bahrein é pequeno. Muito pequeno, aliás. É um arquipélago do Golfo Pérsico onde o espaço nunca foi propriamente um recurso abundante e onde, durante séculos, a sobrevivência dependeu menos do tamanho do território do que da capacidade de tirar partido daquilo que havia à volta. Primeiro vieram as pérolas, depois o petróleo, depois as finanças, a aviação, a indústria, o turismo e os serviços. O país parece ter seguido uma regra bastante simples: se não podemos crescer para os lados, teremos de crescer para cima — e, de preferência, em ideias.
As origens no ecossistema de Dilmun e o domínio dos Al Khalifa
Muito antes de existir o Bahrein moderno, estas ilhas já ocupavam um lugar importante nas rotas comerciais do Golfo. Na Antiguidade, a região esteve associada a Dilmun, uma civilização que prosperou graças à sua posição entre a Mesopotâmia e as redes comerciais que ligavam o Golfo ao mundo mais distante. Ao longo dos séculos, o território passou por diferentes poderes e dinastias, foi conhecido por outros nomes e acabou integrado no mundo islâmico. Em 1783, a família Al Khalifa conquistou o controlo das ilhas e permanece no poder desde então. A geografia continuava a ser a grande vantagem: pequena o suficiente para ser administrável, mas suficientemente bem colocada para ninguém importante conseguir ignorá-la.
A apanha de pérolas como motor económico tradicional
Durante boa parte do século XIX e da primeira metade do XX, a economia dependia sobretudo do mar. A pesca e, sobretudo, a apanha de pérolas sustentavam milhares de pessoas e fizeram do Bahrein um dos grandes centros de comércio de pérolas da região. As suas águas escondiam uma riqueza que exigia mergulhadores, barcos e uma boa dose de coragem. Era uma actividade difícil e perigosa, mas durante gerações funcionou. O país não tinha grandes extensões de terra fértil nem rios abundantes; tinha, em compensação, um mar que ocasionalmente entregava pequenas bolas brilhantes que o resto do mundo estava disposto a pagar caro.
A descoberta do petróleo em 1932 e a presença britânica
Depois chegou aquilo que mudou completamente as regras do jogo: o petróleo. Em 1932, o Bahrein tornou-se o primeiro país do Golfo Pérsico onde foi descoberto petróleo em quantidades comerciais. A descoberta transformou a economia e acelerou a modernização das infraestruturas, ao mesmo tempo que alterou profundamente a sociedade. O petróleo trouxe receitas, empregos e novas possibilidades, mas também contribuiu para o declínio da antiga economia das pérolas, que já enfrentava dificuldades devido à concorrência das pérolas cultivadas japonesas e à crise económica mundial. O Bahrein tinha trocado uma riqueza debaixo de água por outra debaixo da terra — uma mudança bastante conveniente, porque esta última não exigia que alguém passasse horas a mergulhar em apneia.
A importância estratégica do arquipélago também aumentou. A Grã-Bretanha estabeleceu relações de proteção com o Bahrein ao longo do século XIX, e o país tornou-se um importante centro da presença britânica no Golfo. Em 1935, a principal base naval britânica da região foi transferida para o Bahrein, reforçando ainda mais a importância estratégica das ilhas. O pequeno território começava, portanto, a desenvolver uma característica que se tornaria essencial para a sua sobrevivência: quando não podia competir em tamanho, podia competir em localização.
A independência em 1971 e a consulta da ONU
A independência chegou em 15 de agosto de 1971. Antes disso, havia uma questão particularmente delicada: o futuro estatuto do arquipélago e as reivindicações iranianas sobre o território. Em 1970, uma missão das Nações Unidas consultou a população e concluiu que a esmagadora maioria desejava um Estado independente. O Conselho de Segurança das Nações Unidas apoiou essa conclusão, e o Irão abandonou a sua reivindicação. No ano seguinte, o Bahrein tornou-se independente. O país tinha finalmente conseguido algo que, dada a sua localização, não era propriamente trivial: existir como Estado soberano sem ser absorvido por um vizinho maior.
A diversificação económica, o setor financeiro e a visão de futuro
Mas a independência trouxe um novo desafio: o petróleo do Bahrein era importante, mas não comparável às gigantescas reservas de alguns dos seus vizinhos. O país precisava, portanto, de pensar para além do petróleo. E foi exactamente isso que começou a fazer. O Bahrein apostou no sector financeiro, nos serviços, no alumínio, na logística, no turismo e, mais recentemente, na tecnologia financeira. Manama transformou-se num centro empresarial regional e o país procurou tirar partido da proximidade com a Arábia Saudita e com os restantes mercados do Golfo. A diversificação tornou-se uma necessidade, não apenas uma opção elegante num documento de planeamento económico.
Essa estratégia continua no presente. Segundo o Banco Mundial, os sectores não petrolíferos já representam a maior parte da actividade económica do país, com destaque para finanças, turismo, logística, tecnologia financeira e infraestruturas. Em 2024, o sector não petrolífero foi responsável por uma parcela muito significativa da economia, enquanto o país continuou a enfrentar, ao mesmo tempo, o desafio das elevadas necessidades de financiamento público e da dívida. Ou seja: o Bahrein aprendeu a não depender apenas do petróleo, mas ainda não conseguiu convencer completamente as contas públicas a fazerem o mesmo.
É essa capacidade de adaptação que explica a personalidade do Bahrein. O arquipélago começou como entreposto comercial, tornou-se potência regional das pérolas, descobriu petróleo antes de muitos dos seus vizinhos, acolheu bases militares, desenvolveu um sector financeiro sofisticado e agora tenta posicionar-se na economia digital. Nada disso aumentou significativamente o território. A diferença é que o Bahrein percebeu cedo que um país não precisa de ser grande no mapa para ser grande naquilo que faz.
No fundo, o Bahrein descobriu uma das leis mais úteis da geopolítica: quando não se pode aumentar o tamanho do território, aumenta-se o tamanho da ambição. As ilhas continuam pequenas — mas, olhando para a história, parece que alguém lá dentro decidiu há muito tempo que isso não era motivo para pensar pequeno.

